• 18th June
    2012
  • 18

Run baby, run. Or not.

 

Junho de 2011: meu corpo começa a dar sinais.

 

Por mais que vocês possam pensar que foi o pé na bunda que motivou, não, não foi. Assim como nem a estética, nem o preconceito nem nada parecido. Na verdade, eu não faço nem idéia do que é bullying, não sei o que é ficar trancada em casa nem ter baixa auto-estima. Sempre fui muito segura de mim e talvez isso tenha retardado esse processo. Talvez se tivesse sofrido algo quanto a isso ou escutasse minha família, eu não tivesse chegado a tal ponto.

Entendam: ser gordo pra mim não é um problema. Não acho que seja desvio de caráter, não acho que seja defeito nem desculpa pra não ser o que quer ser mas tenho minhas opiniões sobre o assunto, mesmo que não muito favoráveis ao que esperam. Tudo que escrevo aqui é completamente pessoal e uma visão de tudo que eu passei por ser assim e olha que nem é nada de tão absurdo. Não houve nada externo que me fizesse querer mudar. Tudo veio de dentro, do desejo de melhorar a qualidade de vida, de me sentir bem comigo, de coisas que antes eu tinha e perdi por conta do peso.

Esse lance de ‘’sou gordo/gorda e sou feliz’’ nunca funcionou pra mim. Eu sempre soube que era gorda e sempre soube que precisava emagrecer. A questão é que eu estava completamente conformada com a ideia mas nunca disse nem pra mim nem pra ninguém que não mudaria. Por que, na real, quem é gordo sabe que está e sabe mais ainda o que tem que fazer. Às vezes só não quer se dar ao trabalho e abrir mão do que tem, simples. Sejamos sinceros: o sacrifício pra isso é muito grande (eu bem sei).

Calma, não me julguem. São casos e casos. Acredito sim que a gente deve se aceitar mas EU deixo isso pro que não tem remédio, como a morte, mas o que me faz mal? Já foi o tempo em que ser gordo era sinal de saúde e magreza era doença, e vice versa. Duvido mesmo (desculpem!) de quem diz que é FELIZ assim. Gostaria de lembrá-los que essa um dia foi a minha certeza também, diga-se de passagem. Mas só não muda de idéia quem não as tem. Mas opiniões a parte, a verdade era uma só: eu estava me matando.

05 do mesmo mês: a pior noite da minha vida. Acordei engasgada e por alguns minutos achei que fosse morrer. E outras vezes aconteceram ao longo dos dias. Comecei a me observar e percebi que dores nos joelhos surgiram. Minhas pernas, antes tão alvas e limpas, estavam cheias de vasos estourados.

Fui à médica por volta dessa época, contei tudo que vinha acontecendo e ela me explicou: os engasgos eram a gordura da papa pesando sobre a língua e fechando a garganta. As dores nos joelhos era o peso do corpo que implorava por socorro. Minha corrente sanguínea pedia ajuda.

Saí da médica assustada e com aquela injeção de ânimo natural. E queria logo. Pronto, estava dada a largada e eu só pensava em correr. E foi aí que a ficha caiu… Lembro-me como hoje, sentada na praia de Icaraí, de todas as lágrimas que derramei quando não consegui fazê-lo por mais de 10 minutos. Eu, antes atleta, já não tinha fôlego. Voltei pra casa arrasada (e de ônibus). Peso: 128,6 quilos.

 

                                                                

                        


Dia 18:

Ao longo de todos os dias eu trabalhava meu psicológico e buscava saídas que me fizessem esquecer esse assunto que rodeava meu cotidiano quase que 24 horas por dia. Minha saúde, a coisa mais importante da minha vida, estava em risco. A saúde psicológica também precisava de ajuda.

Festa em General Severiano com as amigas. Ainda pesando por volta dos 128kg. Olha, parecia que eu nunca tinha me dado conta do que eu fiz comigo. Por que entenda, não é só culpa do relacionamento, a parada é altamente pessoal. Deixei de me amar, deixei de me olhar no espelho mesmo quando enxergava o meu reflexo ali. Deixei de escutar o bater desesperado do coração ao subir às escadas, a dor na coluna, a postura, deixei de entender os números. 54 não é lá um número que não se consiga notar, não é? Ainda mais nas roupas. Me diziam e eu não acreditava, até olhar pra todas as fotos que eu tinha. E num estalo, ao vê-las, a única coisa que eu conseguia pensar era: cansei de ser gorda. E não seria mais mesmo. Cansei de me enganar, me sabotar, de prolongar todo o esforço que eu teria que fazer pra ser magra.

Começou nesse mês a minha luta para chegar aos 78 quilos. 


                                                           

  • 17th June
    2012
  • 17

O início de tudo.

Danger: cuidado, vocês podem se assustar com as imagens vistas aqui. Recomendado para maiores de 14 anos ou pessoas sem problemas cardíacos, pois são cenas pesadas. E olha, bota pesada nisso.


Eu nunca estive tão aberta pra falar do meu peso, afinal, sou mulher e nós temos, sim, problemas pra tocar nesse assunto. Entendam que pra mim, hoje, é muito mais um orgulho do que vergonha. A única vergonha que me permito ter é a na cara, aquela que me salvou de todos os problemas que eu viria a ter, a que me trouxe a felicidade de entrar numa loja e não ir mais (tão rápido hahaha) na sessão de tamanhos grandes. Hoje eu me permito ser exemplo pras minhas amigas, me permito ser elogiada pelos amigos e ter o reconhecimento de uma qualidade antes guardada: a força de vontade. Eu sempre tive, mas não sei por que cargas d’água eu nunca usei.

Utilizo agora essa ferramenta pra tentar ajudar tantas e tantas pessoas que não sabem por onde começar, que não sabem reconhecer o momento certo de se permitir mudar e que guardam pra si a dor de não serem aceitas (tão bem) na sociedade.

Uso este para que vejam o meu progresso, sim, mas que vejam muito mais a luta que tracei ao longo desse tempo, o caminho sofrido pra chegar à minha meta. Ainda não alcancei, hoje falta muito menos que ontem e tenho certeza que escrever aqui será um incentivo bem grande.

Essa que vos fala sabe o quanto é doloroso ser escolhida pela aparência mas nunca se importou com isso (ou fez de conta) até determinado momento que contarei ao longo deste blog.

Mas vamos ao que interessa: eu estava obesa. 

                                         


 

Nunca fui magra, não é o meu tipo físico. Sempre fui uma criança alta, grande. Aos 12 anos já media 1,74 metros. Era ativa, adorava esportes, freqüentadora assídua dos clubes, aluna tipo A+ em Educação Física. Na adolescência, jogava pelo time do colégio, joguei pela faculdade, me tornei atleta de handball, federada, treinos pesados todos os dias da semana e cheguei a ser da Seleção da Bahia e do Rio, além de ser do time de Vila Velha - ES na modalidade. Ou seja: eu nunca tive estrutura corporal pra ser só osso.

Mas a genética, amigos, é uma bosta. Levando em consideração que o meu pai é um touro de músculos e minha mãe é um manequim de loja, eu devia ser mais gostosa que a Juliana Paes. Mas né, a DESGRAÇADA da genética não deixou. Enfim…

Sei que nada justifica, mas acredito que muitas pessoas que possam ler este texto vão me entender: namorar engorda. A grande chave pro ganho de peso havia me pegado e eu mal podia prever o que viria por aí. Digo isso por que eu nunca tinha atingido um peso de três díditos. E na boa? Dói. E é isso que eu vou contar aos poucos pra vocês, pulando a fase e chegando ao final dela.

Início do namoro: junho de 2007.

Altura: 1,80M.

Peso: 85 quilos.

Término do namoro: maio de 2011.

Altura: 1,80M.

Peso: 130 quilos.


                                  

(Esse é o momento em que você se assusta. Relaxa, eu também fiz essa cara)

Pois é, e a partir daqui, começa o meu diário de navegação rumo ao peso ideal. Rumo ao dia em que poderei dizer: fui gorda e não quero nunca mais aqueles dias pra minha vida.